Mindhunter – Caçador de Mentes – 2ª temporada

Mantendo a qualidade, série apresenta um novo rol de famosos serial killers, enquanto explora camadas da psique humana

Depois de uma estreia impressionante em 2017, ambientando a trama em 1977, que mostrava a origem do departamento de análise comportamental e psicologia criminalística do FBI, a segunda temporada de Mindhunter salta para 1980 e acompanha alguns dos crimes mais famosos daquela década, à medida que aprofunda o desenvolvimento do seu trio protagonista.

Holden Ford se torna um agente mais operante, praticamente sem vida pessoal, enquanto tenta controlar uma forte crise de ansiedade. A sexualidade da Dra. Wendy Carr é mais explorada, quando ela conhece uma bartender, e as escolhas de se assumir ou não, acabam refletindo inclusive em uma de suas entrevistas. Bill Tench, por outro lado, tem de lidar com um ato abominável de seu filho que muda sua rotina. O que também gera paralelismos interessantes com os casos que ele investiga.

Mindhunter

2ª Temporada de Mindhunter na Netflix

O grande foco da produção, no entanto, continua sendo o leque de criminosos seriais que assombraram os EUA entre os anos 70 e 80, com “participações especiais” realmente impressionantes, como a esperadíssima entrevista com Charles Manson (Damon Herriman também vive o mesmo personagem no recente Era Uma Vez em Hollywood, de Tarantino), indo do comum David Berkowitz – “O filho de Sam”, do indecifrável William Pierce Jr., ao perturbado Elmer Wayne Henley; incluindo ainda William Henry Hance e Paul Bateson, além de Dennis Rader, o “BTK” (que vem aparecendo em uma narrativa paralela desde a primeira temporada).

É riquíssima a maneira como o roteiro consegue compreender o trabalho dos agentes, de relacionar pontos em comum entre essas figuras tão distintas e de como todos, em algum comportamento, podem entregar o próximo passo do outro, criando assim não só um método, como uma rede minuciosa da psicopatia. Afinal, nenhum criminoso é igual, mas suas falhas geralmente são.

Mindhunter
Charles Manson interpretado novamente por Damon Herriman

Crimes de racismo?

A trama dessa vez acaba destacando os crimes em Atlanta, que ocorram entre 1979 e 1981, quando mais de 28 garotos negros foram assassinados. Embora as barbaridades do assassino (descoberto nos episódios finais) sejam amplamente conhecidas atualmente, naquele período o caso recebeu pouca atenção da imprensa e da polícia federal. Mais tarde, isso foi conectado a atitudes racistas da sociedade.

Todos esses detalhes são amplamente trabalhados no enredo, em um retrato fiel do caso, que se estendeu por meses. Por isso mesmo, no terço final da temporada e por conta de seu realismo com a História, Mindhunter acaba ganhando um ônus de ritmo. Assim, quase leva o espectador a canseira, propositalmente. Afinal, fica estampado na cara de cadetes e agentes o desgaste físico e emocional que sofrem com o passar das investigações, caçadas e operações.

De qualquer maneira, isso não diminui a qualidade dramatúrgica da série, que mantém os trunfos de antes. Transformar figuras reais em personagens interessantes, ainda que fictícios (os agentes do FBI); e de manter um retrato fiel que vai do comportamento a aparência de outros (os serial killers, realmente impressionante). Conduzido com maestria na direção, no trabalho de arte e trilha sonora, Mindhunter se mantém como um dos programas mais promissores e assustadores da década. Afinal, os crimes do passado continuam assombrando o futuro.

Mindhunter - 2ª Temporada

Nome Original: Mindhunter
Elenco: Katherine Banks, Sonny Valicenti, Don O. Knowlton
Gênero: Crime, Drama, Thriller
Produtora: Denver and Delilah Productions
Disponível: Netflix

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