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Musicais: Mary Poppins, 1964

Londres, 1910. Um banqueiro, George Banks, resolve redigir um anúncio pedindo uma babá, após Michael e Jane, seus filhos, mais uma vez sumirem e fazerem Katie Nanna, a babá, pedir demissão. Tentando controlar a situação Winifred, a mulher de George, faz tudo para acalmar o marido, mas sua cabeça está voltada para a defesa dos direitos da mulher. As crianças também escreveram um anúncio, que difere bastante da babá que George pensa em contratar, tanto que depois de lê-lo o rasga em oito pedaços e joga na lareira, por tê-lo achado fantasioso demais. Porém, os pedaços de papel milagrosamente voam juntos até uma nuvem próxima, onde está uma pessoa muito especial: Mary Poppins. No outro dia chegam muitas candidatas para o cargo de babá, mas um vento misterioso as carrega antes de serem entrevistadas. Chega então Mary Poppins, que desce das nuvens até a casa dos Banks, usando um guarda-chuva mágico como pára-quedas. Ela conhece Mr. Banks e concorda em ficar com o trabalho. Michael e Jane ficam fascinados com Mary Poppins, pois ela é exatamente a babá que sempre sonharam.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-426/

Como é o caso de alguns outros musicais, Mary Poppins virou peça depois do filme. O musical estreou no West End em 2004 e na Broadway 2006. O filme, no entanto é de 1964.

O filme conta a história de uma família que, depois dos filhos levarem mais uma babá a se demitir, coloca um anuncio a procura de uma nova babá. Michael (Matthew Garber) e Jane (Karen Dotrice), os filhos, por sua vez, escrevem o seu próprio anuncio pedindo a babá que eles gostariam. Embora o pai (David Tomlinson) rasgue o anuncio, a babá que aparece na porta da família, Mary Poppins (Julie Andrews) é exatamente como as crianças queriam.

Mary Poppins é originalmente baseado na série de livros de Pamela Lyndon Travers, que relutou muito antes de vender os direitos para a Disney e que depois detestou a adaptação. Mesmo assim, a imagem que a maioria das pessoas tem na cabeça quando o assunto é a personagem, é a do filme, tanto que o musical feito posteriormente é baseado tanto nos livros, quanto no filme de 1964, mas tem uma estética muito parecida com a do filme.

Julie Andrews como Mary Poppins

Nos livros, Mary Poppins é um pouco mais rígida e nem um pouco gentil, como vemos no filme, mas mesmo assim, a babá do filme também sabe dar suas lições e não é gentil o tempo todo. Retratada como uma típica babá inglesa, Mary Poppins desce das nuvens, voa com seu guarda chuva, dança e canta com animais e consegue trazer um pouco de magia ao cotidiano de duas crianças, que se sentem abandonadas pelos pais.

O pai das crianças, George é um importante banqueiro, que não tem tempo para nada mais do que o seu trabalho e a mãe deles, Winifred (Glynis Johns) está ocupada lutando pelos direitos das mulheres. Embora isso possa soar como algo extremamente moderno, é exatamente o contrário, já que o filme dá a entender que uma vez que a mãe está na rua, lutando pelos seus direitos, seus filhos estão abandonados em casa, precisando dos cuidados de outra mulher.

Mary Poppins mistura animação com live-action, que era uma técnica moderna para a época em que foi feita. Travers, por sua vez, odiou todas as sequências que tinham animação, já que ela tinha concordado em autorizar o filme, desde que ele não fosse uma animação.

Andrews e Dick Van Dike na sequencia dos pinguins

O filme também é repleto de sequências de dança incríveis, como a da chaminé e a dança dos pinguins. As músicas foram compostas para o filme e entre elas estão The Perfect Nanny, The Life I Lead, Feed The Birds, Step in Time, Chim Chim Cheree e as famosas A Spoonful of Sugar e Supercalifragilisticexpialidocious.

O elenco conta com Julie Andrews, na época em cartaz na Broadway, como protagonista de My Fair Lady, que a princípio chegou a recusar o papel, já que esperava a resposta para atuar na versão cinematográfica de My Fair Lady. O papel acabou ficando para Audrey Hepburn, que era mais famosa que Andrews, e a segunda aceitou o papel em Mary Poppins.

Mais tarde, as duas atrizes foram indicadas ao Globo de Ouro, por seus respectivos papéis. Andrews ganhou e em seu discurso agradeceu Jack Warner, na época presidente da Warner Bros, que não a escalou para o papel em My Fair Lady e que portanto tornou a sua vitória possível. Andrews também ganhou o Oscar de melhor atriz por Mary Poppins (e Hepburn nem chegou a ser indicada) e foi em função de sua atuação nesse filme, que ela foi escolhida para ser a protagonista de A Noviça Rebelde, provavelmente o filme pelo qual ela é mais conhecida.

Uma das montagens do musical

Além de Andrews, o filme tem no elenco Dick Van Dike, que originalmente queria interpretar o vilão, mas acabou ficando com o papel de Bert, o limpador de janelas que é o par romântico não declarado de Mary Poppins.

O filme se passa nos anos 1910, mas foi filmado nos anos 60, por isso o figurino soa como uma mistura da época, como se as roupas fossem no estilo de 1910, mas com as cores dos anos 60. Uma mistura que funciona muito bem e deixa o filme ainda mais alegre e colorido.

Mary Poppins foi indicado a treze Oscars e levou para casa o de melhor atriz, melhor efeitos visuais, melhor canção original e melhor trilha sonora.

Emily Blunt como Mary Poppins no filme Mary Poppins Return

Na Broadway, Mary Poppins ficou em cartaz até 2016 e a peça já foi encenada em mais de dez países, entre eles Austrália, Canadá, Republica Tcheca, Dinamarca, Alemanha, Japão e Itália.

Um filme que mostra a relação de Travers com Walt Disney foi lançado em 2014, e leva o nome de Walt nos Bastidores de Mary Poppins e traz Emma Thompson como Travers e Tom Hanks como Walt Disney. Já Mary Poppins vai fazer outra parada no cinema ainda esse ano, no filme Mary Poppins Returns, baseado em outro livro da mesma autora e com Emily Blunt no papel principal.

Mary Poppins é tecnicamente um filme infantil, mas tem encantado adultos e crianças durante anos, com músicas, danças e sequências divertidas e bem executadas, deixando a personagem para sempre no imaginário popular.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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