Musicais: Os Miseráveis, 2012

Adaptação de musical da Broadway, que por sua vez foi inspirado em clássica obra do escritor Victor Hugo. A história se passa em plena Revolução Francesa do século XIX. Jean Valjean rouba um pão para alimentar a irmã mais nova e acaba sendo preso por isso. Solto tempos depois, ele tentará recomeçar sua vida e se redimir. Ao mesmo tempo em que tenta fugir da perseguição do inspetor Javert.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-190788/

Baseado no clássico de Victor Hugo, Os Miseráveis estreou na Broadway em 1987, depois de uma temporada em Paris e uma temporada em Londres. Embora o livro tenha ganhado diversas adaptações ao longo dos anos, o primeiro filme baseado no musical saiu só em 2013.

Os Miseráveis conta principalmente a história de Jean Valjean (Hugh Jackman), que é pego roubando pão para alimentar a irmã e o sobrinho e é preso pelo inspetor Javert (Russell Crowe). Anos depois, Valjean é solto e resolve recomeçar a vida, e acaba se tornando prefeito da cidade e criando a pequena Cosette (Isabelle Allen na fase criança e Amanda Seyfried na fase adulta), mas a perseguição de Javert continua.

É muito difícil resumir a história de Os Miseráveis, uma vez que o musical retrata pelo menos duas gerações diferentes, mas uma coisa é comum, o filme fala sobre miséria e pobreza extremas.

Anne Hathaway como Fantine

Para começo de conversa, Os Miseráveis retrata o período pré-revolução francesa, onde o povo passava fome e o emprego era escasso, enquanto a nobreza e a realeza se esbaldavam em luxos. Soma-se a isso o fato de a  maioria dos personagens estar completamente na corda bamba.

Valjean começa o filme como um ladrão, que roubou por uma causa nobre, mas ainda assim, um ladrão, que depois de passar um tempo preso em condições inumanas, consegue mudar de vida, porque recebe ajuda de um padre. Mais tarde, ele mesmo ajuda Fantine (Anne Hathaway), que é demitida de seu emprego por que não aceita os avanços de seu chefe e que com uma filha para criar (Cosette) tem que recorrer a todos os meios para conseguir dinheiro, desde vender seus dentes e seus cabelos, até finalmente a prostituição.

Já na segunda fase do filme, quando Cosette já é uma mulher adulta, ela se apaixona por Marius (Eddie Redmayne), que é um dos San Culottes, que pretende derrubar a monarquia e vai contra todos os ideais em que ela foi criada, enquanto Épopine (Samantha Barks), uma moça pobre e que passa fome, está completamente apaixonada por Marius. O filme também nos apresenta Monsieur Thenardier (Sacha Baron Cohen) e sua esposa (Helena Bonham Carter) que funcionam como um alivio cômico, mas que mostram outro lado da sociedade francesa, que na falta de dinheiro, vivia de golpes.

Jean Valjean e a pequena Cosette

Todos os personagens estão em situações limites e se agarram a tudo que podem para sobreviver, mas mais do que isso, Os Miseráveis é um musical sobre revolta e não aceitação e consequentemente, sobre revoluções.

Os personagens são todos muito bem construídos, mas o filme que tem 2h40 não consegue dar atenção o tempo todo a todos eles e muita coisa que está nos livros e no musical, acabou ficando de fora.

Uma das coisas mais interessantes de Os Miseráveis é que ele tem um pano de fundo histórico, uma vez que começa um pouco antes da revolução francesa e se estende até o período das barricadas, essas inclusive são cenas importantes no musical e boa parte da motivação dos personagens advém do acontecimento.

Ed Redmayne em cena do filme

Outra coisa que é muito importante falar sobre a versão cinematográfica de Os Miseráveis é que ele é todo cantado, mais ou menos como uma ópera, então ele exige uma certa paciência do espectador. Para o pessoal que não gosta de musicais nem com poucas músicas, com certeza sentirá uma certa dificuldade para assistir a um filme cujo até os diálogos são cantados.

Mas para quem tem esse prazer, Os Miseráveis é um filme ótimo, que é capaz de emocionar até as pessoas mais duras.

O filme é repleto de incríveis atuações, como Hugh Jackman, que embora famoso pelo seu papel como Wolverine, começou na Broadway no musical The Boy From Oz (depois de ter feito o papel de Gaston, em A Bela e a Fera na Austrália e ter estrelado Oklahoma! em West End) e que recentemente esteve no musical O Rei do ShowAnne Hathaway, que estava interessada no papel de Fantine há muito tempo; Amanda Seyfried, que esteve em Mamma Mia! e Mamma Mia 2 – Lá Vamos Nós de NovoEddie Redmayne, famoso pelos seus papéis em A Teoria de Tudo (pelo qual ganhou o Oscar de melhor ator) e A Garota Dinamarquesa (pelo qual foi indicado ao Oscar); Sacha Baron Cohen, famoso por seus papéis em filmes de comédia, mas que atua e canta bem nesse filme; Helena Bonham Carter, Samantha Barks, que já tinha feito o papel de Épopine na Broadway, e até a pequena Isabelle Allen, que interpreta Cosette quando pequena e que consegue arrancar lágrimas da audiência. Só Russell Crowe que parece ter aceitado o papel de Javert para fazer uma coisa diferente, mas está meio perdido no filme.

O musical apresenta personagens em situações limites

Os Miseráveis também é uma superprodução e conta com figurinos maravilhosos e extremamente realistas e até com um elefante gigante de metal, que aparece nas ruas de Paris. Além de uma fotografia linda, a primeira cena do filme já nos coloca em um mar revolto aonde Valjean é forçado a trabalhar.

As músicas que fazem parte da trilha sonora foram compostas especialmente para o musical e entre elas estão Look Down, At The End Of The Day, I Dreamed a Dream, Castle on The Cloud, Master Of The House e On My Own.

Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen, que funcionam como um alivio cômico

O filme foi indicado a oito Oscars e ganhou o de melhor mixagem de som, melhor maquiagem e melhor atriz coadjuvante, para Anne Hathaway.

Os Miseráveis é até hoje um dos musicais mais conhecidos do mundo, ficando em cartaz em Londres de 1985 até 2013, se tornando assim, a segunda peça a estar mais tempo em cartaz (a primeira é The Mousetrap). Já em Nova York, Os Miseráveis ficou em cartaz de 1987 até 2003, fazendo dele o quinto espetáculo a mais tempo em cartaz na Broadway. O musical ganhou um revival de 2006 a 2008.

A montagem original da Broadway de Os Miseráveis foi indicada a dez Tonys e ganhou sete, entre eles melhor musical e melhor direção.

Russell Crowe como Javert

No Brasil, Os Miseráveis esteve em cartaz em 2001, com Alessandra Maestrini e Saulo Vasconcelos no elenco e mais recentemente em 2017, em uma produção digna da Broadway.

Os Miseráveis é um filme que faz jus à fama que o musical alcançou e traz ao espectador um espetáculo tão grandioso e tão envolvente como a peça.

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