O Despertar de um Assassino
Thriller com protagonista não confiável

Um homem (Jonathan Rhys Meyers) acorda em uma cama de hospital sem saber quem ele é ou o que aconteceu, mas logo descobre que ele é acusado de matar cinco mulheres.
Na tentativa de provar sua inocência, ele – que ganha a alcunha de Jonh Doe, nome dado aos corpos masculinos que ainda não foram identificados, nos países de língua inglesa – foge do hospital, levando Diana (Francesca Eastwood), uma enfermeira, como refém.
Protagonista não confiável
O Despertar de um Assassino é um filme policial com uma trama relativamente comum: um serial killer está à solta matando mulheres e a polícia corre contra o tempo para desvendar o caso e prender o assassino. O diferencial aqui é justamente o protagonista.

Quando o longa começa, John Doe sofre um acidente de carro e é levado para o hospital desacordado. Quando ele acorda, algum tempo depois, fica sabendo que é acusado de matar cinco mulheres. A plateia sabe tanto quanto John, que diz não se lembrar de nada, portanto, também não sabe de nada.
Justamente porque John diz que não se lembra de nada – porque também não sabemos se ele realmente não se lembra ou se ele só diz que não se lembra -, ele é um protagonista não confiável. Ele é acusado de assassinato, mas aparentemente não sabe se isso é verdade ou esconde isso dos telespectadores.
É verdade que essa ideia é bem interessante, porque isso faz o público questionar o que está assistindo e em quem ele realmente pode confiar, mas isso é a única coisa que chama a atenção em O Despertar de um Assassino.

A investigação
A história de John Doe então, esbarra o tempo todo na investigação dos cinco assassinatos dos quais ele é acusado. Seria natural, portanto, explanar essas mortes para o telespectador, que assim como John, tenta desvendar esse mistério, mas não é o que acontece.
A plateia acompanha a trama através dos olhos de John, por isso tem pouco acesso a investigação da polícia e sabe apenas o que é dito, como por exemplo, a desconfiança de que John seja o assassino.
Por isso, a investigação, que poderia esclarecer alguns detalhes, acaba não entregando o que é preciso e como os crimes que o filme apresenta não são especialmente desenvolvidos, toda essa parte do longa fica em segundo plano.

Aspectos técnicos de O Despertar de um Assassino
Este é um filme relativamente grande, com alguns efeitos e vários cenários diferentes. O longa tem, por exemplo, uma boa cena de acidente de carro logo no começo, que é bem crível.
A produção também conta com algumas boas atuações, como a de Jonathan Rhys Meyers, que faz o que pode com o roteiro. Francesca Eastwood, por outro lado, é bem mediana e não chama a atenção.

O roteiro de O Despertar de um Assassino não é de todo ruim, a ideia original é, na verdade, bem interessante, já que acompanha um personagem em quem é impossível confiar, mas o filme se perde com o tempo e não só é previsível, como também decepciona a audiência que espera uma investigação mais cuidadosa e mais detalhada.
O longa está disponível nas plataformas Now, Vivo Play, Microsoft Movies &, Apple TV e Google Play.