O Legado Kennedy – Inspirado em um caso real

O Legado Kennedy é inspirado em um caso real. 18 de julho de 1969, o senador Ted Kennedy (Jason Clarke) está dando uma festa na ilha de Chappaquiddick, onde a família Kennedy sempre passa as férias. Ele sai da festa com Mary Jo Kopechne (Kate Mara), uma das garotas que trabalhavam no gabinete de seu falecido irmão Robert e, bêbado, derruba o carro em um rio.

Ted consegue sair, mas Mary Jo morre afogada dentro do carro. Temendo o escândalo e já pensando na sua possível candidatura à presidência, Ted demora a avisar alguém e só denuncia o caso à polícia no dia seguinte. As decisões do senador podem acabar prejudicando suas aspirações e mudando sua vida.

Jason Clarke como Ted Kennedy em O Legado Kennedy
Jason Clarke como Ted Kennedy

O Legado Kennedy

O personagem principal aqui é Ted Kennedy que, na época em que o filme se passa, é um senador eleito pelo partido democrata. Em 1969, Ted é o único filho homem ainda vivo da família Kennedy e, naturalmente, também segue o mesmo caminho que seus dois irmãos mais velhos.

Ted é o legado Kennedy, o povo americano o vê assim, ele se vê assim e o seu pai, Joseph (Bruce Dern) também o vê assim. Joseph Kennedy foi um empresário que, mais tarde, se tornou embaixador e que almejava uma carreira política para seus filhos.

O filho que deveria ter se tornado presidente era Joseph P. Kennedy Jr., o primeiro filho de Joseph, mas ele morreu em um acidente de avião durante a segunda guerra mundial e é até hoje considerada a primeira vítima do que ficou conhecido como “a maldição dos Kennedy”. Seu segundo filho homem, John F. Kennedy, se tornou presidente dos Estados Unidos em 1961, e foi assassinado enquanto fazia campanha para a sua reeleição, em 1963.

Ted e o pai, Joseph
Ted e o pai, Joseph

A maldição dos Kennedy?

Bobby Kennedy, o terceiro filho, era procurador-geral na época em que seu irmão era presidente e continuou seu trabalho depois da morte do irmão. Ele se elegeu senador em 1965 e estava prestes a se candidatar à presidência quando também foi assassinado em 1968.

Em 1969, o único filho homem que sobrava era Ted e, embora o pai o considerasse menos talentoso, inteligente, carismático e bonito que seus irmãos mais velhos que tinham sucumbido um a um, parecia lógico pensar que Ted seria candidato à presidência dos Estados Unidos na próxima eleição.

O filme se pauta muito nessa questão porque o acidente que matou Kopechne praticamente enterrou as chances de Ted se tornar presidente. Além disso, automaticamente acabou com os sonhos de seu pai. A trama é muito eficiente em mostrar ao telespectador o sentimento de Ted, que está o tempo todo tentando agradar um pai exigente, que espera que ele seja qualquer um dos seus irmãos mais velhos, e que ao mesmo tempo, não vê muitas qualidades no único filho que lhe restou.

O Legado Kennedy fala sobre um caso real
O filme fala sobre um caso real

Mary Jo Kopechne

A outra personagem do filme é Mary Jo Kopechne, uma professora que, inspirada pelos discursos de John Kennedy, começa a procurar uma carreira política. Nos anos 1960, uma carreira política quando se era mulher significava basicamente ser secretária ou ajudar nos gabinetes de eleição.

É assim que Kopechne começa a trabalhar no gabinete de Bobby Kennedy, na época em que ele concorria para senador. Ela pretendia continuar junto com ele na sua campanha à presidência, mas quando ele foi assassinado, Kopechne ficou muito perturbada e resolveu mudar de área.

Sua atuação no gabinete de Bobby, no entanto, a colocou na festa que Ted deu em homenagem a todas as mulheres que trabalhavam com seu irmão. Kopechne e Ted saíram juntos da festa e o carro onde eles estavam, com ele no volante, caiu em um rio.

Kate Mara como Mary Jo Kopechne em O Legado Kennedy
Kate Mara como Mary Jo Kopechne

E aí?

Embora Kopechne seja um elemento extremamente importante na história, ela tem pouco espaço de filme, afinal, sua morte acontece nos primeiros dez minutos e o que acompanhamos a partir daí é como Ted lida (ou não lida) com as consequências do acidente.

Existe uma tentativa de retratá-la como uma pessoa profunda, com sentimentos e pensamentos bem claros. Em uma conversa com uma de suas amigas, Kopechne fala sobre sua desmotivação com a política depois do assassinato de Bobby, mas é difícil dar muito conteúdo a uma personagem que aparece em menos da metade do filme.

Na época do acidente, diversas histórias sobre o envolvimento de Ted e Kopechne surgiram, mas não existem informações muito claras sobre isso e o filme não entra nesse mérito. Tudo que acontece antes do acidente é mostrado de maneira muito rápida e embora a gente veja Ted e Kopechne conversando, não vemos nada que possa dar a entender que os dois tiveram algum relacionamento romântico ou sexual.

Mary Jo e Ted
Mary Jo e Ted

A realeza da América

A família Kennedy é famosa há um bom tempo e, embora nos dias de hoje esteja um pouco mais reservada, sempre esteve envolvida com política de uma maneira ou de outra. Por isso eles ganharam o título de família real dos Estados Unidos.

Os Kennedys não fazem parte de nenhuma realeza, mas eles certamente se comportam como se fizessem. Muitas pessoas, inclusive, apontam que a famosa “maldição dos Kennedy” não passa da junção de uma grande exposição na mídia com uma série de comportamentos extravagantes e muitas vezes perigosos, provindo de pessoas que acham que podem fazer tudo e que são imortais ou pelo menos, inculpáveis.

Quando se analisa as tragédias que parecem perseguir a família, pode-se notar que algumas delas, de fato poderiam ser evitadas, se tudo fosse melhor planejado. O assassinato de John Kennedy, por exemplo, aconteceu durante um desfile, onde o então presidente e sua esposa andavam sem qualquer proteção em um carro conversível. Antes do desfile, Kennedy foi avisado que essa exposição desnecessária poderia ser perigosa, Kennedy no entanto, achou que nada poderia lhe acontecer, porque era amado pelo povo.

O filme parece condenar o comportamento de Ted
O filme parece condenar o comportamento de Ted

Imprudência

Kathleen Kennedy, filha de Joseph e irmã de John, Bobby e Ted, morreu em um acidente de avião em 1948. O acontecimento também faz parte da extensa lista que aponta a possível maldição da família, mas o que normalmente não se fala é que Kathleen foi avisada que o tempo não estava propício para um voo e que poderia ser perigoso. Mesmo assim, ela insistiu em fazer a viagem em um avião particular. Já John F. Kennedy Jr., filho de John Kennedy, que morreu em outro acidente de avião, em 1999, estava pilotando o avião, quando ainda não era profissional.

O Legado Kennedy entra nesse mérito. Quando o carro de Ted cai na água, ele é o primeiro a sair, se salva, mas não pensa em voltar e tentar salvar Kopechne, que ainda estava viva naquele momento. Ao invés disso, ele fica andando pela cidade pensando no que fez e, mais do que isso, liga para a polícia só no dia seguinte. Antes disso, ele pensa nos danos que o acidente pode causar à sua carreira política e telefona para o seu pai, esperando ouvir algum conselho.

Na manhã seguinte, Kennedy é visto tomando café da manhã com a esposa (Andria Blackman) como se nada tivesse acontecido. O longa não é totalmente incisivo em relação ao comportamento de Ted, que parece ser comum a toda família, mas ele dá a entender que muito do que aconteceu poderia ter sido evitado se o comportamento do senador tivesse sido diferente.

O filme é bem caracterizado
O filme é bem caracterizado
Aspectos técnicos de O Legado Kennedy

O filme não fez muito barulho na época do lançamento, mas tem uma produção relativamente boa. O longa se passa no final dos anos 1960 e os figurinos e objetos de cena são bem reproduzidos e colocam o telespectador dentro daquele momento.

Jason Clarke, embora bem caracterizado, não é tão parecido assim com Ted Kennedy, mas para os espectadores brasileiros, que não conhecem a família com tanta proximidade quanto os americanos, isso não é tão relevante. Aceitamos que aquele é Ted Kennedy e entramos na história. Já Kate Mara ficou bem parecida com Kopechne.

Também é interessante a maneira com que ela interpreta Kopechne. Embora tenha pouco tempo de tela, a gente consegue ver que a atriz colocou um pouco de personalidade na personagem, o que é interessante, já que sabemos pouca coisa sobre a mulher real.

O acidente afetou a carreira politica de Ted Kennedy
O acidente afetou a carreira politica de Ted Kennedy

Mais alguns pontos

Fica meio implícito que o filme desaprova o comportamento de Ted, já que mostra a situação de Kopechne dentro do carro antes de sua morte, ao mesmo tempo que retrata os comportamentos egoístas e despreparados do senador, mas isso poderia ser feito com mais força, assim como também poderia explorar mais a relação entre Ted e Kopechne, que nunca foi completamente esclarecida.

Por outro lado, O Legado Kennedy é um filme que retrata um episódio interessante da história, que talvez não tenha sido totalmente compreendido até hoje, ao mesmo tempo que explora um dos poucos Kennedys que não tem tanta exposição, pelo menos aqui no Brasil.

O filme é mais focado em Ted
O filme é mais focado em Ted

O filme começa bem mais interessante do que termina, já que apresenta uma trama que beira o suspense, mas vai se tornando mais um filme sobre a culpa e o egoísmo de Ted com o tempo.

O Legado Kennedy ainda é um filme que informa e que prende a atenção do telespectador por um tempo. Talvez não apresente uma história completamente acurada, mas ainda é um bom entretenimento.

O Legado Kennedy

Nome Original: Chappaquiddick
Direção: John Curran
Elenco: Jason Clarke, Kate Mara, Bruce Dern, Ed Helms, Jim Gaffigan
Gênero: Suspense
Produtora: DMG Entertainment, Apex Entertainment
Distribuidora: Entertainment Studios Motion Pictures
Ano de Lançamento: 2017
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