Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco – 2ª temporada

Sem momentos marcantes, reboot segue sendo apenas um resumo atualizado do original

Depois que a primeira parte dessa produção da Netflix apresentou um reboot que nunca se decidia se queria ser um produto próprio ou uma adaptação do clássico, trazendo metralhadoras e um bueiro falante, pouco nesse sentido avançou. Todas as sequências envolvendo os Cavaleiros de Prata, ainda que respeitem a base do enredo, são tratadas de maneira tão dinâmica e objetiva, que esvaziam qualquer emoção. Por mais brega que fossem no original, ainda eram um ponto marcante da obra. Faziam o espectador torcer em toda sua aura melodramática, trágica e juvenil.

Claro que sintetizar cenas com Misty de Lagarto, Moses de Baleia ou Jamian de Corvo é um alento para os dias de hoje, pois no passado eles pouco tinham a oferecer além de balela e uma pirotecnia aqui e ali, para chegar a um desfecho previsto pelas obviedades do roteiro. Mas fazer o mesmo com Algol de Perseu é lamentável, pois é uma luta clássica. Um dos raros acertos de Kurumada em toda sua produção, que reverenciava com virtude as verdadeiras pelejas dos épicos Gregos (e também os mitos). E quando assistia-se Shiriyu de Dragão sacrificando a própria visão para salvar os amigos, aquilo emocionava de verdade! Aumentava a torcida por uma vitória improvável.

No reboot, os dois adversários tem uma briga que não chega aos 30 segundos antes da resolução. E ninguém parece muito triste com o ocorrido depois. O mesmo ocorre com a rápida batalha contra Aiolia de Leão, que duas décadas atrás mostrava pra valer o verdadeiro poder de um cavaleiro de ouro pela primeira vez, mas agora não preenche dez minutos de tela. E o que dizer da volta de Ikki, que surge e desaparece como veio, sem gerar qualquer comoção?

Zodíaco - 2ª temporada

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco – 2ª temporada

E se essa nova produção está mirando no novo público, por que então ainda se prende tanto ao clássico? Na maior parte das vezes, fica evidente que o reboot não passa de um mero resumo do anime de 1986, cortando os fillers (então nada de Dócrates, os Cavaleiros Fantasmas, Cavaleiros de Aço e outros) e andando com mais velocidade em lutas que antes se arrastavam por longos episódios.

Por outro lado, também não serve como uma adaptação fiel do original, pois introduz novos conceitos – até que bem-vindos, como uma nova explicação mitológica envolvendo a Profecia de Atena, citando de antemão os futuros inimigos Poseidon e Hades, e o ataque a Aiolos, que agora teve não só Shura de Capricórnio, como um golpe fatal de Saga de Gêmeos.

Zodíaco - 2ª temporada

E aí?

Dentre as novidades interessantes dos Cavaleiros do Zodíaco – 2ª temporada, temos o arco final envolvendo Vander Guraad (que nessa versão, claramente foi parceiro romântico de Mitsumasa Kido e um dos pais de Saori), que tenta usar a ciência para armazenar o cosmo, criando novos cavaleiros negros em uma base secreta, com direito a única batalha realmente emocionante dessa produção (incluindo a primeira parte, que também não nos ofereceu isso). Talvez seja esse o caminho.

Mas não, provavelmente o que Eugene Son e a Netflix querem com essa nova animação é mesmo um resumo do clássico, acelerando eventos do original e esvaziando momentos marcantes, enquanto respeita o enredo, ousando com fillers próprios aqui e ali, assim tentando conquistar um novo público, enquanto mantém a nostalgia de velhos fãs que ainda conferem a produção com curiosidade. Uma pena.

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco - 2ª temporada

Nome Original: Seinto Seiya: Knights of the Zodiac
Elenco: Bryson Baugus, Marty Fleck, Emily Neves
Gênero: Animação, Ação, Aventura
Produtora: Electric Shadow Films
Disponível: Netflix

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