The Umbrella Academy – 1ª temporada

A Netflix perdeu uma ótima oportunidade de realizar algo galhofa, divertido e colorido, ao invés do lugar-comum que entregou por aqui. The Umbrella Academy conta a história de uma família disfuncional e super-poderosa que se reúne após anos sem contato, no funeral de seu pai adotivo.

Publicado pela Dark Horse originalmente, esse foi o primeiro projeto do músico Gerard Way como roteirista de quadrinhos. Ele conta com a arte do brasileiro Gabriel Bá, que dá vida à uma equipe excêntrica com poderes diversos. No Brasil, teve os dois primeiros volumes publicados pela Devir no começo dos anos 2010. Inspirado claramente por Patrulha do Destino (que depois ele assumiria como escritor), além de X-Men e até trazendo ares de Watchmen, Way concebeu algo bastante maluco e único, pois ele subverte o conceito de grupo de super-heróis para uma porralouquice sem tamanho.

Coloca seus personagens para enfrentar a Torre Eiffel (!), que enlouqueceu (!!) e vinha jogando pessoas de cima dela (!!!); além de uma mãe que na verdade é um monte de órgãos amontoados num manequim; ou do pai, que na realidade é um alienígena etc.

The Umbrella Academy
The Umbrella Academy

Quadrinhos que viram série

O traço de , que já é naturalmente bastante estilizado, fica ainda mais nesta HQ. Fortalece assim os princípios assumidamente absurdistas da proposta, do começo ao fim. A série da Netflix empresta elementos tanto do primeiro álbum, “Suíte do Apocalipse”, quanto da continuação, “Dallas”, para compor uma primeira temporada de 10 longuíssimos e arrastados episódios de 1 hora cada.

É evidente que a produção poderia ter investido uma temporada por volume, com suficientes 6 episódios. Mas infelizmente as escolhas do showrunner Steve Blackman foram de repetir o café com leite típico da Netflix. Usa uma paleta pálida e azulada e estranhamente melancólica, sem vida e pedante. Traz figuras chorosas em tela, e bastante enrolação narrativa. Então mesmo indo do ponto A ao B, encontramos problemas de roteiro pelas viagens temporais, onde muitas vezes algumas opções não fazem sentido e tornam certos personagens ou burros ou incoerentes.

Aidan Gallagher é o Número 5
Aidan Gallagher é o Número 5

The Umbrella Academy

Mesmo assim, a série ainda mantém alguns elementos da obra original. Por exemplo, o apocalipse iminente; o uso de alguns poderes e habilidades; a entidade Violino Branco (que tem pouco tempo de tela, mas convence); além de Pogo (que não só tem um CGi excelente, como é um dos melhores personagens). Por outro lado, sendo uma adaptação, é natural que escolhas tenham sido feitas. Algumas certeiras (como o corpo simiesco do Spaceboy, o uso de poderes do Número 4) e outras bestas (como o envolvimento romântico do Número 2, todo o arco da Comissão do Tempo e seus desinteressantes agentes) etc.

Então, fica evidente que enquanto adaptação, The Umbrella Academy falha miseravelmente, pois não soube fazer bom uso da galhofice de seu produto original, perdendo uma enorme oportunidade de fornecer para o espectador um entretenimento diferente do que já tem sido realizado tanto nas séries (como Luke Cage, Agentes da Shield), como no cinema de super-herói.

The Umbrella Academy
The Umbrella Academy

Com um quadrinho tão colorido e divertido, é lamentável demais a Netflix não ter optado por assumir esse manto em sua versão. Mesmo assim, enquanto produto próprio, ele pode funcionar melhor para o grande público ao mostrar a vida de uma família disfuncional e bizarra e repleta de excentricidades. Afinal todos os sete nasceram de mulheres que não estavam grávidas e ficaram de repente. Cada qual com sua subtrama dramática, além de novos elementos que vão surgindo, como os agentes do tempo, um suspeito rapaz apaixonado por sua professora de violino e uma ameaça maior para todo o planeta.

Considerações finais

É quase como uma versão de A Maldição da Residência Hill, mas com pessoas com super-poderes, embaladas por uma trilha sonora escolhida a dedo pra fisgar a juventude (que vai de Queen, The Doors, Sex Pistols até o próprio My Chemical Romance). Parte do elenco se dá muito bem, a começar pela estrela Ellen Page, passando pelo prodígio Aidan Gallagher, até Robert Sheehan – que consegue entregar uma performance incrível, tanto no humor exagerado, quanto no drama. Em contrapartida, Emmy Raver-Lampman não sai muito das caras e bocas, tal qual Mary J. Blige, e Tom Hopper é extremamente limitado.

De qualquer maneira, você já viu isso antes e realizado de maneira mais autêntica. The Umbrella Academy é mais do mesmo, mas pode fisgar quem busca uma alternativa para os superseres da Marvel e da DC.

The Umbrella Academy

Nome Original: The Umbrella Academy
Elenco: Ellen Page, Tom Hopper, David Castañeda, Emmy Raver-Lampman, Robert Sheehan, Aidan Gallagher, Mary J. Blige
Gênero: Ação, Aventura, Comédia
Produtora: Dark Horse Entertainment
Disponível: Netflix

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