Crítica: Resident Evil 6 – O Capítulo Final

Ou assim esperamos que seja…

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Junho de 2002. Lembro-me muito bem de como estava empolgado de ver a minha série de games favorita adaptada para o cinema. Ah, como eram inocentes aqueles tempos pré-Rotten Tomatoes, Metacritic e outros agregadores de reviews, quando era muito mais fácil enganar o público com uma promessa de filme em forma de trailer desonesto.

15 anos depois e estamos diante do sexto e último filme de uma das franquias mais desnecessariamente longas já feitas em um lugar conhecido por suas franquias desnecessariamente longas. A personagem Alice (Milla Jovovich) se vê diante de uma situação na qual tem 48 horas para retornar à famigerada Raccoon City e impedir que o que resta da humanidade seja destruído pelos malditos acionistas da Umbrella Corporation. Esse é o fiapo de trama do longa.

A página do IMDB de Resident Evil 6 classifica o filme nos gêneros ação e terror, e ele consegue ser um fracasso nos dois gêneros, conforme vou descrever a seguir. O “terror” presente no filme consiste numa série de jumpscares (quando alguma coisa pula na tela acompanhada de algum barulho alto, causando susto em qualquer pessoa que tenha um coração batendo no peito) previsíveis (todo o som do filme desaparece, deixando um silêncio claramente artificial para aumentar a “eficiência” dos sustos) e irritantes. Genéricos também são os monstros apresentados, com seu visual reciclado e nada assustador.

Já as cenas de ação são editadas de maneira tão péssima que me causaram dor de cabeça com uma série de cortes aparentemente aleatórios a cada meio segundo que tornam praticamente impossível entender o que se passa nas lutas. Basta olhar filmes como De Volta Ao Jogo (John Wick) e Mad Max: A Estrada da Fúria (o qual RE6 tenta copiar descaradamente e com resultados catastróficos durante o primeiro ato do filme) para ver que não há desculpa para cenas de ação mal dirigidas atualmente. Ou não houve esforço, ou é falta de talento do diretor e do montador. Provavelmente tudo isso e muito mais.

Não há muito o que dizer sobre o elenco e suas atuações. Milla Jovovich demonstra claramente estar acomodada em seu papel, não saindo do piloto automático de um personagem sem carisma algum. Iain Glen (o Sor Jorah de Game of Thrones) faz o vilão principal do filme, em uma atuação cômica de tão caricata. E a infinidade de atores menores presentes no filme também não passam de clichês ambulantes, fato que não é aliviado por um roteiro porcamente escrito.

No entanto, a verdadeira “cereja” do no topo desse bolo de lixo é o terceiro ato do filme, correspondente a mais ou menos os trinta minutos finais, onde uma série de reviravoltas absurdas e diálogos vergonhosos se somam, culminando em uma das piores coisas já vistas no cinema na última década. Ironicamente, essa é parte do filme na qual eu mais me diverti, mas por uma curiosidade mórbida de tentar prever qual seria o próximo absurdo a ser exibido na tela.

Como se não bastasse, o final deixa espaço aberto para futuras continuações, num twist absurdo que trai a confiança dos fãs que acompanharam a série até hoje. O diretor já declarou publicamente que não tem planos de voltar à franquia, mas se o filme for bem nas bilheterias, quem sabe, né? Pena que a franquia não é como um de seus zumbis, pois assim um simples tiro na cabeça seria o suficiente para extinguí-la de uma vez por todas.

Andre Descrovi
Professor de inglês.
Connoisseur de séries.
Gamer declaradamente Sonysta.
Apreciador dos mais variados tipos de filmes, mas com uma queda acentuada pelos sombrios.
93 é o sentido da vida.

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