Demolidor e sua 3ª temporada (2018)

O terceiro ano de Demolidor desenvolve uma história mais intimista. Quebrando mocinhos e bandidos e os levando ao limite, é quase uma versão para TV de O Cavaleiro das Trevas em tom e tensão.

A Netflix adapta A Queda de Murdock de maneira sutil e amenizada. Mas mantendo os elementos que fundamentaram o principal arco do personagem nos quadrinhos. Trazendo Matt de volta às origens, furioso com Deus e se distanciando de todos, após os eventos finais de Os Defensores, quando ele e Elektra foram supostamente soterrados por um prédio.

A terceira temporada de Demolidor

Os primeiros episódios se preocupam em mostrar um herói quebrado tentando se reerguer, física e psicologicamente. Atinge momentos maravilhosos de atuação de Charlie Cox, que sempre comprou a ideia do seu protagonista de maneira honesta e intensa.

O restante do elenco também segue brilhante. Com Deborah Ann Woll trazendo uma Karen Paige ainda mais destruída, que vai revelando seu sombrio passado gradualmente; enquanto o Foggy Nelson de Elden Henson deixa de ser um alívio cômico para assumir rédeas estratégicas e cheias de grandes responsabilidades. Vincent D’Onofrio continua formidável no papel do sempre complexo Wilson Fisk, agora remanejando sua ascensão, ao manipular agentes do FBI para retomar o poder, provando inclusive o quão imbatível pode ser, sempre 5 passos a frente de qualquer um. Entre os adendos, Joanne Whaley interpreta Maggie, uma freira que é mais do que aparenta; Jay Ali surpreende como o impassível e emocional agente Ray Nadeem; enquanto que Benjamin Poindexter é humanizado de maneira aberrante pelo competente Wilson Bethel, finalmente trazendo o Mercenário a tona.

Aspectos técnicos

Tecnicamente impressionante, a terceira temporada mantém sua fotografia escura, suas coreografias brutais e impressionantes, além de uma cinematografia bem-vinda em vários momentos (que não são as conversas imaginárias de Matt ou as visões de contexto de Fisk, duas escolhas bastante duvidosas, narrativamente falando), incluindo aqui um plano-sequência de porrada que consegue superar os anteriores, ao manter o Demolidor por 11 minutos socando soldados e presidiários, em uma cena improvável.

E ainda que exista a tragédia, ela é mais periférica. Em escolhas menos ousadas de seus roteiristas, que não foram até o fim nas apostas de corpos que deveriam constar. O que não quer dizer que ocorra algum desapontamento, pois nenhuma violência por aqui é gratuita. Ainda que ela esteja presente em quase todas as cenas, sem espaço para piadinhas dessa vez. O Mercenário, que não recebe este título, é responsável pelos momentos mais cruéis. Mas é o Demolidor, de volta às origens (tanto em relação ao lar, na igreja, quanto no uniforme antigo, preto e precário), quem mais parece apresentar um real perigo. Por muitas vezes, o que causa efeitos interessantes no espectador.

Com um roteiro redondo e enxuto, a terceira temporada se foca na Cozinha do Inferno e não abre portas para participações especiais. Deixando que a concisão faça o bom trabalho, que se não supera a segunda temporada, pelo menos também não desce um degrau. Assim, mantém a qualidade como a melhor produção da Marvel com a Netflix.

Mesmo com aquele happy end novelesco, que pode inclusive dar um desfecho feliz para seus sofridos personagens.

Demolidor - 3ª temporada (2018)

Nome Original: Daredevil
Elenco: Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vincent D'Onofrio, Royce Johnson, Geoffrey Cantor
Gênero: Ação, Crime, Drama
Produtora: ABC Studios, DeKnight Productions, Goddard Textiles, Marvel Entertainment, The Walt Disney Company
Disponível: Netflix
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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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