Domingo, família, política e segredos

O Domingo tem um significado forte na vida do brasileiro. Ainda mais aquele de classe média com o velho costume de reunir a família de maneira quase religiosa. Nessas situações, por mais que haja os parentes que queiram evitar conflitos, sempre ocorrem atritos. Esse filme tem a peculiaridade de trazer o espectador rapidamente para o contexto apresentado, afinal todos se identificam com ele. Ainda mais por se tratar do famigerado réveillon.

Algumas características chamam mais a atenção. Primeiro que não existe um protagonista, ou seja, os personagens têm a mesma importância e isso causa uma certa confusão no acompanhamento da trama. Além disso, vários conflitos surgem de acordo com as relações entre os membros dessa família gaúcha, o que cria um caos generalizado.

Ao mesmo tempo, questões como machismo e homofobia aparecem de uma maneira sutil, mas fazem com que o roteiro ganhe força e gere bons embates. Porém, as diferenças sociais têm um destaque, pois a dona da casa (onde o filme se passa quase em sua totalidade), representa bem a elite que sente prazer em usufruir de sua posição, ao passo que os empregados da residência demonstram seu descontentamento apenas com olhares e
subtextos muito pertinentes.

Domingo

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Outros pontos bastante abordados são o sexo, o adultério e as drogas. Todos em um tom de colocar o quanto eles estão presentes no núcleo familiar, contudo sempre naquele clima de segredo e, principalmente, com a necessidade de manter as aparências de família exemplar.

Como pano de fundo, a posse do presidente Lula em 2003 dialoga por ser uma ruptura política que mexe com as estruturas assim como a tal família está na iminência de romper com tantas diferenças morais e de valores entre as três gerações que ali convivem num pseudo ambiente amigável que se espera em um churrasco de 1º de janeiro.

Talvez o filme cause um desconforto e até deixe muitas perguntas no ar. O roteiro chega a ser solto, mas seguindo a tendência do cinema nessa década. Creio que possa agradar tanto um público acostumado a filmes mais voltados pra comédia, como também aos que buscam propostas mais alternativas. Ao passo que tende a desagradar quem procura uma linha mais definida de linguagem cinematográfica.

Domingo

Nome Original: Domingo
Direção: Clara Linhart e Fellipe Barbosa
Elenco: Camila Morgado, Ítala Nandi, Augusto Madeira, Chay Suede
Gênero: Comédia, Drama
Produtora: República Pureza Filmes, Gamarosa Filmes e Damned Films
Distribuidora: Arthouse
Ano de Lançamento: 2018
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