O Clube dos Canibais, crítica social em forma de terror

Em O Clube dos Canibais, Otávio (Tavinho Teixeira) e Gilda (Ana Luiza Rios) são um casal da classe alta que vive bem em uma mansão. Eles também fazem parte de um clube, que tem como hábito comer a carne de seus empregados. Então, em uma das reuniões, Gilda descobre um segredo de Borges (Pedro Domingues), um homem extremamente poderoso e o casal se vê em perigo iminente.

O Clube dos Canibais é um filme bem diferente, especialmente se pensarmos no âmbito do cinema nacional. O cinema de terror nacional ainda está engatinhando, e o filme gore, então, nem parece uma opção. No entanto, o longa apela para esse lado. A trama é muito violenta, por isso, é natural que o diretor Guto Parente, tenha feito essa opção.

Ana Luiza Rios como Gilda em O Clube dos Canibais
Ana Luiza Rios como Gilda

O filme tem diversas cenas de morte muito gráficas e repletas de sangue, e faz um paralelo extremamente interessante entre as mortes e a comida, mais especificamente a carne vermelha malpassada. Tudo isso faz muito sentido dentro da trama, que fala justamente sobre pessoas que comem carne humana. O filme também passa à plateia uma sensação de aflição, uma vez que relacionamos uma cena com a outra, o que funciona perfeitamente bem para um filme de terror.

O Clube dos Canibais e a crítica social

Mas o que o filme quer mesmo fazer é uma crítica social. Otávio e Gilda formam um casal rico, que vive em uma grande mansão e que está rodeado de empregados. Assim, eles se sentem no direito de abusar desses empregados em qualquer esfera. Como hobbie, o casal frequenta um clube composto apenas por pessoas ricas e poderosas, que mata, cozinha e come a carne dos empregados. A metáfora é mais do que clara: os ricos consomem os pobres.

O Clube dos Canibais pode se encaixar no gênero gore
O filme pode se encaixar no gênero gore

O Clube dos Canibais nos mostra cenas de vários tipos de abuso na relação patrão- empregado: físico, sexual e mental, e ainda acrescenta o maior de todos os absurdos, o canibalismo. Quando entra em temas tão profundos e importantes quanto a diferença de classes, o filme se torna, ao mesmo tempo, atemporal e atual. O longa consegue falar com pessoas de diversas épocas.

A crítica social em um filme de terror é sempre muito bem-vinda, inclusive, a tendência é que a trama fique mais interessante quando é mais do que só um filme assustador (é o caso de Corra!, por exemplo). O grande problema de O Clube dos Canibais é que essa crítica fica mais do que explícita, quase de maneira didática, já que em muitos momentos os personagens chegam a verbalizar o que deveria estar no subtexto, não dando muito espaço para o espectador pensar por si próprio e chegar às suas próprias conclusões.

Gilda e Otávio
Gilda e Otávio

Aspectos técnicos de O Clube dos Canibais

O longa tem seus méritos: o primeiro deles é ser um filme de terror brasileiro, que se passa aqui no Brasil. Afinal, o cinema de terror nacional é tão pequeno e tão pouco levado a sério que é ótimo ver filmes que se encaixem nesse gênero. Este vai mais longe e pode facilmente se encaixar no gore, o que é uma novidade maior ainda.

Também é importante que o filme é tecnicamente bem feito, as cenas de violência e sangue são bem feitas e realistas. Os jogos de cena do filme, que misturam morte, violência, sexo e comida também são interessantes e nos colocam dentro da vida desse casal hipócrita e egoísta e que acredita que só a vida deles é importante.

O Clube dos Canibais também tem um clima que deixa o púbico tenso e à espera de que algo terrível aconteça a qualquer momento, mesmo que o filme não guarde muitos de seus segredos até o fim e isso nem seja tão relevante a longo prazo.

O Clube dos Canibais, na verdade, é uma crítica social
O Clube dos Canibais, na verdade, é uma crítica social

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O tema do filme é muito importante, mas mais importante que o terror e o gore em si, é a ideia por trás da trama, que seria bem mais impactante se estivesse menos óbvia. Isso não prejudica o filme totalmente, mas dá à plateia a sensação de que ela não consegue pensar sozinha e precisa de uma aula a cada cena.

O Clube dos Canibais tem um bom tema e uma boa trama e certamente vai agradar fãs de terror, mas seria um pouco mais inteligente, se não entregasse todas as suas metáforas de mão beijada. O filme entra em cartaz no dia 3 de outubro.

O Clube dos Canibais

Nome Original: O Clube dos Canibais
Direção: Guto Parente
Elenco: Tavinho Teixeira, Ana Luiza Rios, Pedro Domingues, José Maria Alves, Rodrigo Capistrano
Gênero: Terror, Comédia
Produtora: Tardo Filmes
Distribuidora: Olhar Distribuição
Ano de Lançamento: 2018
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