Jack – O Caçador de Gigantes, cadê Bryan Singer?

Uma versão anabolizada do Teatro dos Contos de Fadas, da TV Cultura nos anos 90

Para começo de conversa, não consegui identificar a assinatura de Bryan Singer em Jack – O Caçador de Gigantes. O diretor da maior parte dos ótimos filmes dos X-Men e do excelente Os Suspeitos (1995), chega completamente descaracterizado nessa versão do clássico conto João e o Pé de Feijão. Nenhuma direção de atores, de sequências ou de qualquer outro elemento, parece oriunda dele. Essa produção é completamente genérica, pois poderia ter sido feita por qualquer diretor-operário de Hollywood.

Então, se você é fã do trabalho de Singer, não espere nada que o represente nesse filme. A obra jamais se decide se é para o público infantil ou adulto. Afinal, os gigantes são feios, maus e comem meleca. Mas também devoram a cabeça dos homens com requinte de crueldade e às vezes morrem de maneira hedionda.

Ewan McGregor, Eleanor Tomlinson e Nicholas Hoult em cena de Jack - O Caçador de Gigantes
Ewan McGregor, Eleanor Tomlinson e Nicholas Hoult

Jack – O Caçador de Gigantes

O elenco também é um grande desperdício. Nicholas Hoult, que vem se provando um grande ator em produções variadas, aqui tem uma interpretação esquizofrênica, como se tivesse acabado de sair da escola de atuação. Seu protagonista jamais fisga pelo carisma. Eleanor Tomlinson é só um rosto bonito, que passa a história inteira gemendo para lá e para cá.

Genérico e estereotipado ao extremo é o vilão de Stanley Tucci, que simplesmente não serve para nada na história. E eu realmente não faço ideia do que o Ewan McGregor e o Ian McShane estão fazendo por aqui, talvez estivessem precisando de dinheiro. Os gigantes, por outro lado, até são divertidos em sua crueldade pueril, mas o CGi é tão ultrapassado e mal acabado, que fica difícil comprar a ideia da existência deles em uma obra de 2013.

Mas…

O longa não é de todo mal. Minha comparação com o antigo programa que passava na TV Cultura não é somente por se tratar de um conto de fada, mas também pela estética, pela maneira como os personagens se comportam e pelos rumos do enredo. Tudo realmente parece uma produção datada, que busca ao máximo transmitir a sensação de uma verdadeira fábula.

Existe o maniqueísmo, mas também uma lição de moral por trás dos atos dos homens e das consequências pelas escolhas realizadas. Nesse sentido, Jack – O Caçador de Gigantes é muito mais honesto na proposta do que Branca de Neve e o Caçador (lançado no ano anterior, mas superior) ou João e Maria: Caçadores de Bruxas (do mesmo ano, mas inferior) – que modernizavam os contos clássicos, muitas vezes de maneira forçada –, se aproximando mais da legitimidade temática encontrada no competente Oz: Mágico e Poderoso (também do mesmo ano, mas superior a este).

Jack – O Caçador de Gigantes funciona melhor como uma extensão daqueles filmes feitos direto para a TV, dos anos 80 e 90, despretensiosos e bem próximos da história como a conhecemos, com uns enxertos aqui e ali. Mas não vá esperando muito mais do que isso. As crianças podem adorar por um lado, mas se assustarem do outro, assim como os adultos podem achar interessante a parte das batalhas, mas bocejar com o lero-lero dos diálogos pobres. E sem encontrar seu público, nesse morde e assopra, o filme cai no limbo do qualquer coisa.

Jack, o Caçador de Gigantes

Nome Original: Jack the Giant Slayer
Direção: Bryan Singer
Elenco: Nicholas Hoult, Stanley Tucci, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Ian McShane
Gênero: Aventura, Fantasia
Produtora: New Line Cinema
Distribuidora: Warner Bros.
Ano de Lançamento: 2013
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