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Peça Teatral: A Noite de 16 de Janeiro

Baseada no texto da Russa Ayn Rand, traduzida e dirigida por Jô Soares, A Noite de 16 de Janeiro se passa literalmente em um tribunal, que tem como trabalho julgar Andréia Karen (Guta Ruiz), acusada de matar o ex-amante, de quem ela também era secretária, jogando-o da cobertura de seu próprio prédio. Andréia, no entanto, diz que o homem cometeu suicídio.

A peça funciona de uma maneira bem interessante, permanecem em cena o tempo todo, Andréia, seu advogado (Cássio Scapin), o promotor (Marco Antônio Pâmio), o juiz (Jô Soares) e o meirinho (Giovanni Tozzi), o resto do elenco vai entrando no palco conforme chega a sua vez de depor. Entre os depoimentos temos o da viúva, Nancy Lee (Erica Montanheiro), da governanta (Tuna Dwek), do sogro e de alguns empregados do falecido.

A ideia de apresentar os personagens aos poucos torna a peça mais interessante, uma vez que a cada momento temos uma surpresa diferente, e estamos sempre na expectativa de quem é que vai aparecer. Os personagens de uma maneira geral, são todos muito interessantes e muito ambíguos, como acontece com a própria Andréia, que é retratada por alguns como uma femme fatale, capaz de tramar o assassinato do ex-amante e por outros como uma jovem apaixonada. O mesmo acontece com a esposa, Nancy Lee, que pelo promotor é descrita como uma jovem pura, que acabou de perder o amor de sua vida e pelo advogado de defesa como uma mulher muito rica que poderia comprar o amor do falecido.

Cassio Scapin, Jô Soares e Marco Antônio Pâmio

Embora esteja falando de um crime, a peça tem momentos de humor, que fazem a platéia rir, em sua maioria puxados pelo próprio Jô Soares.

Outra coisa que chama a atenção é o figurino, a peça se passa em Nova York, nos anos 30 e as roupas dos personagens, assim como seus cabelos e maquiagens, parecem ter sido pensados com muito cuidado.

Mas o ponto mais interessante e mais diferente dessa peça é que o júri, que vai decidir se Andréia é ou não inocente, é composto por pessoas da platéia, que podem se candidatar para o “papel” antes da peça começar na bilheteria. Isso faz com que todo o julgamento seja muito mais do que uma peça, mas uma encenação que beira ao real para os jurados e para o público, e por isso cada noite a peça é diferente.

A viuvá e o sogro do falecido

A Noite de 16 de Janeiro também é uma prova na atuação do elenco, já que cada um ali tem como objetivo convencer quem está assistindo do seu ponto de vista.

A peça tem um clima de suspense que perdura do começo até o fim e é muito fácil ser convencido ou enganado pelas histórias que são contadas por cada uma das testemunhas.

Muito mais do que uma peça de teatro, A Noite de 16 de Janeiro é quase uma experiência realista, que coloca a platéia em um tribunal Nova Yorkino na década de 30.

A Noite de 16 de Janeiro está em cartaz no TUCA, em São Paulo, de Sexta a domingo, até o dia 09 de Dezembro.

A Noite de 16 de Janeiro

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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