Os Irmãos Willoughby, animação na Netflix

Desinteressante, bocejante e sem graça, animação desafia o público a sobreviver a uma sessão desesperadora

O filme animado que em sua sinopse e trailer prometia mostrar o valor das diferenças, não segue por esse caminho e não conta história alguma. Os Irmãos Willoughby abre apenas começos de premissas, que jamais tomam rumo.

Baseado no livro infanto-juvenil The Willoughbys, de Lois Lowry, a animação escrita e dirigida por Kris Pearn, a princípio parece seguir por uma toada sinistrinha à lá Tim Burton, como “Frankenweenie” (vide o character design dos personagens), com o humor negro, sagaz e não tão infantil de Neil Gaiman (tem até um gato onisciente narrando tudo, meio que querendo ecoar “Coraline”), mas não era bem por aí. Ok.

Então, temos uma família atípica, de pais egoístas, que não se preocupam com os filhos e parece que a história vai ser sobre órfãos/crianças em problemas, tal qual “Desventuras em Série” (que o roteiro aqui desesperadamente tenta emular, sem sucesso), mas logo o enredo só mostra isso pela superfície.

Os Irmãos Willoughby

Os Irmãos Willoughby

Beleza. Aí, a trama sugere um lance de bebê abandonado na porta e como tal situação pode se desenvolver em um núcleo familiar, mas… não se trata disso. Um velho coronel morando dentro de sua fábrica de doces, talvez seja iss… Não, não é. Uma babá quase perfeita? Não, também não. Jovens que viveram em isolamento descobrindo um novo mundo moderno, repleto de possibilidades? Nem pensar.

Incapaz de saber qual história quer contar, Pearn (e provavelmente Lowry, o autor da obra original, mas vou me ater ao diretor/roteirista) faz uso de uma animação bonita de ver, com gags visuais espertinhas e belas cores, como desculpa para a realização de um filme. Tendo participado nos bastidores de outros longas animados, como “Tá Chovendo Hambúrguer”, esse é seu primeiro voo solo relevante em uma plataforma de respeito, mas fica evidente a completa falta de talento narrativa do diretor (que joga piadinhas físicas, cenas e sequências aleatoriamente, só para justificar seus recursos visuais).

Assim, muitos elementos colocados na trama são desconexos. Por que a família Willoughby é conservadora? Qual a relação dos bigodes com isso? Qual a serventia do Comandante Melanoff, senão como um deus ex machina para o desfecho? E por que diabos tem um bebê nessa história?

Os Irmãos Willoughby

Que puxa…

A animação Os Irmãos Willoughby não consegue acertar nem mesmo no carisma, com personagens chatérrimos. Muitos inclusive sem função na composição geral, como os já citados comandante e o bebê Ruth, além da dona do orfanato. A babá Linda é incluída no enredo do nada, paga para um serviço e de repente se vê numa tarefa emocional forçada, assim como também é completamente nada convincente o perdão que o quarteto de irmãos concede aos pais no final (ainda que a subversão de tal cena tenha sido a única valorosa no roteiro).

A todo momento, Pearn tenta brincar com a malícia (das gags dos pais, que também funciona aqui e ali), com a quebra de expectativas (mas que, por já ter sido estabelecida uma vez, se torna repetitiva nas demais) e com a reinvenção da roda (onde falha miseravelmente sempre). Vejam bem, não devemos comparar essa obra com filmes da Pixar, Disney ou Ghibli, mas com outros de escala menor, como “ParaNorman”, “A Era do Gelo”, “Horton e o Mundo dos Quem”, “A Casa Monstro”, “Os Sem Floresta”, “Minions”, “Hotel Transilvânia”, “PETs” e, pasmem “Emoji: O Filme”; e mesmo que todos os citados variem bastante de qualidade narrativa, eles tem algo a dizer, por mais medíocre que alguns sejam e ainda assim superam em muito essa lástima em forma de animação.

Infelizmente…

Em situações assim, o mais correto seria produzir um curta sem diálogos (teria nos poupado, ao menos), ou então, melhor ainda, um demo reel, pois a única coisa que se salva por aqui é a estética, para onde foi minha nota 2 (e mesmo assim não compensa a sessão). Sem saber qual história quer contar, o diretor narra um pouco de cada, sem personalidade, sem graça e sem energia, mas não chega em lugar nenhum e ainda consegue desperdiçar o tempo do espectador. Portanto, passem longe.

Os Irmãos Willoughby

Nome Original: The Willoughbys
Direção: Kris Pearn
Elenco: Vozes de Will Forte, Maya Rudolph, Alessia Cara
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Produtora: BRON Studios
Distribuidora: Netflix
Ano de Lançamento: 2020
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