Pink Floyd – The Wall, uma ópera rock autobiográfica

Pink Floyd – The Wall é um filme de 1982, dirigido por Alan Parker, inspirado no álbum de mesmo nome do grupo Pink Floyd.

Na trama, Pink (Bob Geldof) é um famoso astro do rock, que mesmo com fama e dinheiro, se sente depressivo. Para curar sua depressão, ele recorre ao álcool e as drogas. Assim, junto com ele, lembramos aspectos da sua vida, como sua infância, a morte de seu pai, o seu sucesso e toda a bagagem que ele carrega.

A vida de Roger Waters

Antes mesmo do Pink Floyd gravar o álbum The Wall, a banda já tinha intenção de fazer um filme. Mas a ideia original girava em torno de cenas de shows junto com animações feitas por Gerald Scarfe. Roger Waters, o baixista e vocalista da banda, então, interpretaria Pink. A gravadora, por sua vez, não parecia muito convencida do valor comercial do filme.

Bob Geldof em cena do filme
Bob Geldof em cena do filme

Tudo isso mudou quando Alan Parker (que também dirigiu Fama e Evita), muito fã da banda, entrou em contato com Waters pedindo para dirigir o filme. Foi então que os dois criaram muitos dos conceitos que aparecem no filme. Waters também é responsável pelo roteiro. Por isso é natural que ele tenha colocado aspectos da sua própria vida nele. O que se especula é que o filme, na verdade, seja sobre Roger Waters.

Além da relação óbvia da profissão de Pink e Waters ser a mesma, existem outras semelhanças entre o personagem e seu criador. Assim como Pink, Roger Waters perdeu seu pai na segunda guerra mundial e teve diversos problemas no casamento, que eventualmente levaram ao divórcio. Até a cena em que Pink raspa todos os pelos do corpo é uma referência a uma cena que os membros da banda de fato viram, quando o ex-integrante do Pink Floyd, Syd Barrett apareceu no estúdio com a cabeça e as sobrancelhas raspadas.

As crianças na cena de Another Brick in The Wall
As crianças na cena de Another Brick in The Wall

Outros temas de Pink Floyd – The Wall

É verdade que o filme é extremamente pessoal, mas ele também fala de assuntos que diversas pessoas podem se relacionar. E, mais importante ainda, refletir.

Um dos assuntos que aparecem com bastante força no longa é a ideia de um governo repressor. No roteiro, Waters se pronuncia claramente contra qualquer forma de autoritarismo. Ele usa do advento da segunda guerra mundial para falar sobre o assunto, mas também imagina governos do futuro que poderiam tomar um rumo parecido. Esse é um tema que apareceu bastante no trabalho de Waters tanto com o Pink Floyd como fora dele. Até os dias de hoje, Waters se posiciona contra governos autoritários nas suas músicas e nos seus shows.

Uma das animações feitas por Gerald Scarfe
Uma das animações feitas por Gerald Scarfe

O músico justifica a sua posição em função da perda de seu pai na segunda guerra mundial, que começou devido a um governo opressor e autoritário.

Musicais e bandas de rock

Waters também fala sobre a educação na Inglaterra. O período escolar de Pink é repleto de medo e ordens por parte dos professores e supervisores da escola. O que também mostra uma outra face do autoritarismo. As cenas que acompanham a música Another Brick in The Wall – Part 2 mostram crianças colocadas em uma máquina que as transforma em criaturas iguais, dessa forma, acusando a escola de transformar seres com suas próprias personalidades em um padrão, com as mesmas ideias e os mesmos pensamentos.

Tudo isso, além de uma crítica bem clara a qualquer tipo de autoritarismo, também é uma metáfora ao governo de Margaret Thatcher e suas políticas externas.

Pink em uma de suas fantasias
Pink em uma de suas fantasias

Aspectos técnicos

Pink Floyd – The Wall é um musical bem diferente de qualquer outro. Na verdade, apenas duas músicas da trilha sonora são cantadas em cena, embora o filme tenha pouquíssimos diálogos e seja repleto de cenas com músicas de fundo. O filme também não tem uma narrativa completamente lógica, uma vez que muito do que acontece, se passa no passado ou na mente do protagonista. As animações de Gerald Scarfe, que apareciam no projeto iniciais, foram mantidas e são de fato, lindas.

O papel de Pink originalmente seria de Waters, mas depois de um teste de elenco, decidiram contratar outra pessoa. Bob Geldof, vocalista da banda The Boomtown Rats e criador dos festivais Live Aid e Live 8, então, foi escolhido para interpretar Pink.

As músicas que aparecem no filme são as mesmas do álbum The Wall (1979). Com exceção de duas que estão no disco, mas não no filme: Hey You (que mais tarde apareceu como material especial do DVD) e The Show Must Go On.

Pink

Ouça aqui o maravilhoso álbum The Wall da banda Pink Floyd

Entre as músicas que estão na trilha sonora estão In The Flesh?, Another Brick in The Wall (Parte 1, 2 e 3), Empty Spaces, Mother, Is There Anybody Out There?, Nobody Home, Waiting for the Worms e Out Of The Wall.

Pink Floyd – The Wall é uma ópera rock perfeita para os fãs da banda Pink Floyd! Mas também é uma obra prima que pode agradar qualquer pessoa com a sensibilidade para ver além da história de Pink.

2 Comentários

  1. Muito legal, de quebra ainda fiquei sabendo um pouco mais sobre a banda igual pensei quando resolvi dar uma olhadinha aqui 😀

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