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The Sinner, um drama competente do Netflix

Passado a instigante premissa do primeiro episódio (uma dona de casa que mata um qualquer na beira do lago sem motivo aparente), duas respostas já são dadas logo ali: de que ela agiu semelhante a um veterano de guerra que passou por um trauma e de que ela conhecia a vítima.

Com isso, o caso praticamente já poderia ter sido resolvido, mas aí não teríamos história, por isso os produtores resolveram fazer de Cora Tannetti uma desmemoriada (bem justificada) e uma mentirosa por medo do marido interpretar mal seu passado negro (aceitável).

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Jessica Biel, uma atriz sempre limitada, consegue aqui o melhor papel de sua carreira. O restante do elenco acredita muito em seus respectivos personagens, mas é Bill Pullman quem brilha pra valer, na figura do convincente detetive tão comum quanto qualquer um de nós, sem qualquer cacoete badass de Hollywood, sendo muitas vezes inclusive impotente diante dos fatos que vão se revelando aos poucos.

Apesar da trama indicar uma falsa grandiloquência, que poderia envolver algo conspiratório e inalcançável, ela acerta o alvo justamente ao revelar que a ocorrência é mais simples do que se imaginava, envolvendo uma noite devassa com álcool e drogas onde uma coisa saiu errado. E sim, que poderia ter acontecido com qualquer um.

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É claro que os pilares cristãos, da mãe provinciana fanática que agrilhoou as filhas em uma vida onde tudo era visto como pecado, passando pela escolha do crush errado (quem nunca?), e principalmente da irmã com um relógio de areia correndo pelo peito, levaram o surto as vias de fato e tornam o contexto mais trágico do que apenas uma noitada ruim.

E com exceção do grande furo envolvendo o sumiço do corpo de Phoebe há mais de 5 anos (estranhamente jamais citado pelos pais ou tia), a série consegue amarrar as pontas soltas ao longo dos suficientes 8 episódios e apresentar um desfecho digno, que absolve parte dos pecados.

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Dessa maneira, The Sinner poderia se encerrar por aí, mas sabemos que não funciona assim e é provável que o Netflix transforme a obra em antologia, tendo sempre Harry Ambrose a frente de um novo caso, que ele se identifique acima de tudo, e que expie sua culpa a transformando em obsessão. É esperar pra ver.

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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