Crítica: Fragmentado

Pedaços que se espalham na tela a procura do espectador

fragmentado

As pesquisas recentes nos campos da neurologia tem permitido, por intermédio de novas tecnologias, mapear e descobrir como funciona as regiões de nosso cérebro, em uma tentativa milenar de compreender o enigmático ser humano e despertar quem sabe, suas potencialidades ao máximo. Fragmentado coloca esse desafio na tela por intermédio de mais de 20 personalidades que surgirão no corpo de Kevin (James McAvoy) e que serão responsáveis pela trama do filme.

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Conta-se que o indivíduo não só detêm outra personalidade como também passa a ser outro indivíduo, essa diferença situacional tão expansiva demostrada no filme ganha força quando interpretada por McAvoy, que consegue mudar em segundos a dinâmica de sua atuação de maneira fantástica e palmas lá para M. Night Shyamalan que conseguiu criar transições e interações que permitem a entrada e saída desses personagens, o carisma e personalidade de cada um.

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O filme começa com três garotas sendo raptadas e sendo mantidas em cativeiro. Nessa situação, as três tentam encontrar uma forma de sair enquanto se deparam com diversas pessoas que as visitam, todas na pele do mesmo indivíduo, situação que ao longo do filme será explicada e demonstrada com a ajuda da Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley), psicologa do nosso protagonista e responsável por uma pesquisa que fala sobre o tema e tenta mostrar para o mundo que podemos ser aquilo que pensamos ser e que talvez, esse seja o futuro. Em paralelo a história uma das garotas ganha destaque, Casey Cooke (Anya Taylor-Joy), onde vamos acompanhá-la criança e seus aprendizados de caça no meio da floresta junto ao seu pai e seu tio, ambiente que irá mostrar a garota situações que vão muito além de armas e animais.

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A questão sobre o rapto é logo no início explicada, uma das personalidades do individuo é um monstro que quer sangue puro e daí começa a demonstração de habilidade do ator principal quando consegue demonstrar como suas inúmeras facetas o protegem rumo ao objetivo de alimentar a besta. Entre crianças, senhoras, estilistas e muitos outros, o espectador estará diante da transformação de identidade que muitas vezes nós mesmos temos, em fração menor claro, mas quem nunca se questionou quem era aquela pessoa de algumas minutos atrás?

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Aqui a coisa toma um ar diferente e quem assistiu comigo o filme disse que ele era de terror, não só pelas poucas, mas presentes cenas que visam assustar (mais os personagens do que a quem assiste), mas principalmente pela ideia que de uma hora para outra você possa perder a coincidência e outra pessoa assumir seu corpo ou como é chamado no filme, vir a luz, sobrando a esperança de que um dia possasse retornar, mas então, terá restado alguma coisa do indivíduo fragmentado?

O final faz um link com o filme Corpo Fechado e aí meu amigo, resta você juntar os pedaços e fazer as conexões.

AVALIAÇÃO
Título Original: Slip
País: Estados Unidos
Duração: 1h57min
Lançamento: 23/03/2017
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, James McAvoy...

Luan Bião
Sou co-fundador da parada e hoje responsável pela infraestrutura, pelos projetos, códigos e por manter o barco andando. Por isso, você vai me ver em quase todas as áreas aqui do site, desde do jornalismo das matérias até as edições de vídeos e podcasts. Acredito que um dia vou conseguir reunir o time dos sonhos e buscar o One Piece e já estou chegando perto.

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