Borderliner, uma série policial dramática

Série original Netflix

Para proteger a própria família, um policial acoberta um caso de assassinato. Mas acaba preso em um jogo perigoso quando sua parceira começa a suspeitar de algo.

Originalmente intitulada “Grenseland“, esta nova série de suspense coloca um policial saindo de um caso complicado (onde depôs contra seu parceiro de trabalho) até sua cidade natal, onde se vê sem saída ao encobrir um assassinato e entrar numa espiral de problemas, envolvendo o irmão mais novo e o pai (ambos também policiais), além dos dois sobrinhos e uma nova parceira nas investigações, que passa a mudar o jogo gradualmente, entre outras figuras nos entornos, mergulhando assim em uma jornada onde a linha entre o certo e o errado é bem tênue.

Sutileza e verossimilhança são os grandes pontos da produção, carregada de personagens extremamente críveis, que se comportam como pessoas e não como estereótipos (ainda mais em seriados do gênero, uma armadilha quase difícil de evitar) em situações plausíveis e nada exageradas, nem dramáticas ou cheia de reviravoltas formulaicas.

Ellen Dorrit Petersen e Tobias Santelmann
Ellen Dorrit Petersen e Tobias Santelmann

Esse pé no realismo faz bem a Borderliner e os flashbacks do acidente de carro que levou a espiral de crimes (tráfico de drogas, assassinato, corrupção, abuso de poder etc), em novos ângulos ou momentos a cada episódio, fornecem situações singulares do qual o roteiro faz bom proveito, ainda que o vaivém de personagens entre as duas cidades ou locais possa cansar em dado momento.

Tudo em Borderliner é passivo e essa é outra palavra crucial por aqui. A passividade da produção é responsável pelos grandes acertos e pequenos problemas da série, que funciona em sua plausibilidade bem executada (com tomadas sofisticadas, mas não explícitas, então nada de violência ou sexo, apenas o poder da sugestão, afinal não são elementos importantes na construção do enredo), mas peca ora ou outra num ritmo, que apesar de se fazer necessário, em alguns casos pisa demais no freio e um espectador mais sonolento, ainda que interessado, pode perder o bonde andando. Por isso, recomendo para espectadores apaixonados pelo filme Zodíaco, como eu, que conseguem apreciar uma obra sem uma cena de ação sequer e ainda assim se interessar pelo o que a história tem a nos mostrar.

Mesmo assim, e justamente por fugir das convenções do gênero, evitando os clichês de cartilha, vale uma conferida. Mas se muna de café antes de apertar o play.

Borderliner

Nome original: Grenseland

Elenco: Tobias Santelmann, Ellen Dorrit Petersen, Benjamin Helstad, Eivind Sander, Bjørn Skagestad, Thelma Farnes Ottersen

Criação: Megan Gallagher

Gênero: Thriller

Produtora: Monster Scripted AS

Distribuição: Netflix

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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