Críticas

Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi

Mudbound- Lágrimas sobre o Mississipi, indicado ao Oscar nas categorias Melhor Atriz Coadjuvante (Mary J. Blige), Melhor roteiro adaptado, Melhor fotografia e Melhor Canção original é baseado no livro de mesmo nome, de Hillary Jordan e se passa no Mississipi nos anos 40. Na história Laura McAllan (Carey Mulligan) vai morar em uma fazenda, que o marido, Henry (Jason Clarke) acabou de comprar, junto com eles está o sogro dela (Jonanthan Banks). Embora as terras tenham sido recentemente compradas por eles, no terreno, vive a família Jackson, uma família de negros, cujo o filho mais velho (Jason Mitchell) acabou de ir para a guerra. Os Jacksons pagam aluguel para os McAllan, mas mesmo assim, existe uma idéia de que a segunda família faz um favor para a primeira família e que esse favor deve ser pago com o trabalho. Quando tanto Ronsel, o filho mais velho dos Jacksons, quanto Jamie, o irmão de Henry voltam da guerra, uma amizade entre os dois, ligados pelos horrores da guerra, acaba surgindo.

O filme na verdade, é contato em flash back, na primeira cena do filme o telespectador é jogado em uma situação que não pode entender a principio, mas que logo prende o interesse no filme. Depois, Laura, em voz over nos conta como exatamente a sua família chegou a fazenda.

A voz over é um ponto interessante do filme. Embora, no começo pareça que vamos assistir o filme do ponto de vista de Laura, logo percebemos que vários personagens narram o filme da mesma maneira. A diretora, Dee Rees, usa essa técnica não só para nos contar a história pregressa dos personagens, mas também para mostrar o ponto de vista de cada um dos personagens.

Como a primeira cena já é um desfecho, o telespectador passa as próximas 2 horas e 14 minutos na expectativa para saber o que aconteceu para deixar os personagens naquela situação.

O cenário aonde se passa o filme é especialmente interessante: o Mississipi faz parte do Cinturão da Bíblia, uma parte dos Estados Unidos que é protestante e extremamente conservadora até hoje, nos anos 40, então, isso era muito maior. É interessante conhecer esse cenário, nessa época em especial e os figurinos do filme fazem jus a época retratada, nada é muito suntuoso, afinal, nenhuma família ali é especialmente rica, mas as roupas soam muito verdadeiras e realistas.

O filme quer retratar temas maiores do que os problemas de cada individuo, mas também foca em alguns personagens e em seus dramas pessoais. Laura, por exemplo, é uma moça da cidade que é jogada nesse ambiente rural, sem ter qualquer idéia do que fazer, Jamie, que acabou de voltar da guerra, está claramente traumatizado com o que viu, já Ronsel, que também esteve na guerra, parece orgulhoso de ter defendido o seu país e feliz com o tratamento que recebeu na Europa, que foi completamente diferente do tratamento que ele recebe todos os dias em sua cidade natal. Até Henry, o marido, que acredita que os Jacksons tenham obrigações com sua família, aparece como um homem, que mesmo bruto, está fazendo o que pode por sua família.

Carey Mulligan está ótima no filme, como sempre, assim como Jonathan Banks, que interpreta um homem racista e cruel, mas quem rouba a cena é sem dúvida nenhuma Mary J. Blige, que está tão bem que está até irreconhecível, no papel de Florence Jackson.

Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississipi

Mudbound- Lágrimas sobre o Mississipi fala sobre uma época que a maioria de nós não conheceu, aonde o pensamento era outro e está ai para ser visto e pensado e para nunca mais ser repetido.

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Fernanda Cavalcanti

Formada em cinema, apaixonada por literatura, divide seu tempo livre entre ler, escrever e dançar. Gosta especialmente de terror, mas lê/assiste de tudo. Também escreve para o blog Além da Toca do Coelho.

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