O Legado de Júpiter: Volume 1 (e único)

Sem se propor a reinventar a roda, O Legado de Júpiter, obra adaptada dos quadrinhos de Mark Millar e Frank Quitely (que eu não li), direciona suas intenções mais para os tributos do que para as subversões apresentadas em “The Boys” e “Invencível” (da qual não cabem qualquer comparação).

Assim, Millar investe sua paixão pela Era de Ouro dos Heróis — onde temos, principalmente, a figura do Utópico (mais uma versão do Superman, dos montes que temos por aí), bastante idealista, irredutível e, sim, utópico, que encontra na nova geração um conflito de ideais. E é sustentado em cima desse conflito geracional que a série se conduz.

Nesse sentido, O Legado de Júpiter lembra muito mais a primorosa HQ “O Reino do Amanhã“, tanto pela construção de seus heróis primários (que ao menos não ficam emulando a Liga da Justiça pela enésima vez) — e de algumas cenas, como a de Utópico arando a terra com um maquinário que ele puxa com sua superforça, quase que retirado das páginas de Alex Ross – , deixando um sabor nostálgico no ar do começo ao fim.

O Legado de Júpiter

O Legado de Júpiter

Outra semelhança com a graphic novel vem sobre uma das temáticas da série: o conflito geracional, que aqui nem acaba sendo tão bem desenvolvido assim. Apresentando meia dúzia de jovens rebeldes e sem causa (Elena Kampouris é extremamente linda e sexy, mas sua Chloe é insuportável e é impossível comprar seu drama), ou que mal aparecem, servindo mais como enfeite de discurso, do que sendo personagens propriamente ditos (sim, Brando Sampson, estou falando de você).

Portanto, a série acaba ganhando mais quando volta para a icônica década de 1930, mostrando alguns dos protagonistas pré-poderes e todo o misticismo, mistério e aventura (digna de um Indiana Jones), que levam seis figuras para uma ilha inspirada declaradamente na Ilha da Caveira (de King Kong), que vai resultar no que estamos vendo no presente, além de outras pequenas surpresas. O trecho no passado, de fato, é o que segura o interesse do público, já que o presente, por mais que também levante um segredo, soa frágil e solto demais, sem conseguir se sustentar.

Os efeitos especiais e todo o valor de produção encostam bastante no que o MCU apresentou, principalmente no primeiro e no último episódio, com as grandes batalhas. Aliás, se essa série tivesse dois ou três episódios a menos, teria funcionado melhor. Inflada com subtramas, a narrativa leva mais de quatro episódios para dizer ao que veio.

O Legado de Júpiter

Porém…

Mesmo assim, eu seus dilemas de moralidade (que parecem mais contextualizados do que nunca), O Legado de Júpiter consegue estabelecer uma história fora da massa popular Marvel/DC ou dos dramas cabeças como Watchmen, e até dos tresloucados ou ultraviolentos, como Umbrella Academy e The Boys, encontrando um espacinho ali no meio, com uma ideia vagamente diferente, mas não menos interessante.

O criador, Mark Millar, tinha idealizado a série com mais de 40 episódios, divididos em 5 temporadas. Entretanto, mesmo tendo investido mais de 200 milhões de dólares nesta produção – que era divulgada como um dos lançamentos mais aguardados do ano – a Netflix decidiu acabar com a história, não autorizando a realização de uma segunda temporada.

O Legado de Júpiter | Trailer oficial | Netflix

Nome Original: Jupiter's Legacy
Elenco: Josh Duhamel, Ben Daniels, Leslie Bibb, Andrew Horton
Gênero: Ação, Aventura, Drama
Produtora: DeKnight Productions
Disponível: Netflix
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