Pantera Negra, o retorno redondo da Marvel

Conheça a história de T'Challa, príncipe do reino de Wakanda

Após a morte de seu pai, T’Challa retorna à nação africana de Wakanda, isolada do mundo mas tecnologicamente avançada, para tomar seu lugar como rei. Quando um poderoso inimigo aparece repentinamente, o poder de T’Challa como rei – e como Pantera Negra – é testado e ele é atraído a um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco. Diante da traição e do perigo, T’Challa deve reunir seus aliados e utilizar seus poderes de Pantera Negra para derrotar seus inimigos e garantir a segurança e futuro de seu povo.

Ryan Coogler consegue imprimir mais personalidade e autenticidade em sua versão de Pantera Negra, ao mesmo tempo fiel aos quadrinhos e cheio de importância ao ser politizado, debater racismo e colonialismo com propriedade, sem panfletagem gratuita e entregar entretenimento escapista em um roteiro bem fundamentado, onde nenhuma sequência de ação é gratuita e cada movimento serve ao outro, conduzindo o longa com uma naturalidade agradável de se acompanhar.

Ainda que o CG por vezes pareça inacabado e o filme conte com uma batalha final um pouco chata, mais videogame do que película, Pantera Negra compensa pela direção firme, os argumentos sólidos, uma trilha sonora surpreendente e um worldbuilding dos mais bem acabados do cinema atual — indo do figurino estiloso e singular, até os cenários deslumbrantes e bem aproveitados, sempre conversando com a história, não sendo mero enfeite, nesta que é uma das produções mais importantes da Marvel.

Com um elenco brilhante (Chadwick Boseman retorna à vontade no papel de T´Challa e Michael B. Jordan impressiona como Killmonger, mas são as meninas que de fato brilham aqui e minha paixão por Lupita Nyong’o não vai passar tão cedo), Coogler conduz de maneira vigorosa a trama, uma das mais contidas do MCU (até mesmo mais do que Homem-Formiga), funcionando isoladamente e não dependente do humor forçado, que quase arruinou o ótimo Doutor Estranho.

O inimigo se justifica do começo ao fim (mas ainda não é o melhor vilão da Marvel… talvez essa figura ainda não exista nas produções da Casa das Ideias e tudo bem), trazendo questões intrínsecas da cultura negra, que precisavam ser gritadas para o mundo de alguma forma. O desfecho, que aponta uma bem executada crítica a imbecilidade de Trump, também é eficiente na mensagem. No mais, o diretor sabe como fazer um mano a mano, além de acrescentar novos elementos para o futuro dos super-heróis nas telonas, que serão bem-vindos de se acompanhar.

Pantera Negra

Pantera Negra é um filme redondo, correto e funcional, e o pontapé de recomeço da Marvel em sua fase 4, provavelmente trabalhando mais longas autocontidos, o que aqui pareceu ornar bem.

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Douglas MCT

Douglas MCT já escreveu para os gibis da "Turma da Mônica", roteirizou o desenho animado "Galera Animal" da TV Globo, participou do enredo do game "Chico Bento" para as redes sociais, é autor dos quadrinhos “Edgar Alan Corvo”, "SUPER" e “Hansel&Gretel”, e dos livros "O Coletor de Almas" e da série "Necrópolis".

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