Jessica Jones – terceira e última temporada

Um desfecho sombrio e cheio de reviravoltas para uma das séries mais consistentes da Netflix

Depois de Demolidor, Jessica Jones é a produção mais bem resolvida da parceria Marvel e Netflix que, ao se encerrar em 2018, deu um destino incompleto para Punho de Ferro (que desbravaria o mundo em altas aventuras) e Luke Cage (que virou o novo chefão do Harlem), mas não para o demônio da Cozinha do Inferno, que teve um ótimo fecho, nem tampouco para a investigadora particular e mal-humorada.

Nesta terceira e última temporada, a protagonista interpretada com naturalidade por Krysten Ritter, segue se distanciando de Patsy Walker. Afinal, esta matou sua mãe no ano anterior. Rachael Taylor faz uma versão complexa como sua nova vigilante (após ganhar poderes na outra temporada), em uma jornada que muito remeteu ao do Duas-Caras no longa O Cavaleiro das Trevas, inclusive quanto a trajetória repleta de sede por justiça (em partes motivada pela vingança através de uma tragédia, em parte por não acreditar no sistema).

Jessica Jones
Benjamin Walker e Krysten Ritter em cena

Leia aqui sobre a segunda temporada de Jessica Jones

Dessa maneira, é certo colocar o psicopata Gregory Salinger (Jeremy Bobb, uma grata surpresa) como o “Coringa”. Não em comparação comportamental, mas conceitual, pois é o vilão que move as engrenagens para a decadência dos demais eventos. O jogo de gato e rato que ele emprega com a investigadora é bastante interessante e contribui para o andamento dos 13 episódios. Dessa vez eles são menos sentidos do que na temporada anterior, principalmente por conta das várias voltas e reviravoltas que a trama dá, sempre a favor do enredo. Assim, funcionam sempre, inclusive no impacto sobre o espectador.

Malcolm (Eka Darville) e Jeri (Carrie-Anne Moss) ganham ainda mais substância com arcos próprios, repletos de dramas o suficiente para se sustentarem sozinhos, mesmo vindo se encontrar na fio-principal depois. Erick (Benjamin Walker, uma fotocópia mais jovem de Liam Neeson), por fim, é outro adendo no elenco. Seu cara misterioso que também guarda habilidades é meio boboca e bastante conveniente, mas tem lá sua função principal que reverbera nos atos finais. “Vale a pena se importar?” e “Os fins justificam os meios?” são duas perguntas que aparecem com frequência nas vidas de todos os personagens ao redor de Jones, o que é bastante condizente em um universo de seres imperfeitos.

Jessica Jones
Carrie-Anne Moss e Eka Darville

Saiba mais sobre a série

Com uma morte improvável e significativa, além de alguns gestos inesperados, que promovem a história para rumos sombrios e melancólicos, a última temporada não peca na direção nem na fotografia. Tampouco nas sequências de ação, que conta com diálogos precisos e uma narração em off certeira e muitas vezes poética. Coroando assim a produção como uma autêntica “história de detetive” (todos os elementos estão ali, como sempre estiveram), sem perder seu valor de entretenimento. E ainda fornece desfechos que, se não são exatamente felizes, pelo são menos realistas.

Nesse final, a investigadora lutou para fazer o que era certo e, querendo ou não, se tornou uma heroína pública. A jornada em busca de moralidade encontrou um encerramento bem resolvido e emocionante, afinal.

Jessica Jones - 3ª Temporada

Nome Original: Jessica Jones
Elenco: Krysten Ritter, Rachael Taylor, Eka Darville
Gênero: Ação, Crime, Drama
Produtora: ABC Studios, Marvel Studios
Disponível: Netflix

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